segunda-feira, 1 de julho de 2019

COMANDANTE OU TRIPULANTE...

Imagem de Pexels por Pixabay

ANALOGIA CORPORATIVA


COMANDANTE OU TRIPULANTE: Todo tripulante é um comandante de seu próprio espaço.¹


Um dia você se percebe numa viagem e responsável pela condução de diversas atividades, seja comandante ou tripulante. Deve coordenar todas as tarefas aos seus cuidados, orientar e cooperar com os demais tripulantes e zelar pelo bem estar dos passageiros. Nessa ocasião não importa o tipo de embarcação que tenha escolhido (ou lhe impuseram), seja um navio mercante, um barco pesqueiro, uma poderosa fragata ou um cruzeiro com show do Roberto Carlos, é hora de recolher a âncora, içar as velas, aquecer os motores e partir.

Seja lá qual a embarcação e a respectiva jornada que você irá traçar, agora você está no seu comando!

Trabalhar em equipe se assemelha a realizar uma viagem de navio. São raras as oportunidades que a vida te dá para mudar de embarcação, sendo muitas vezes necessário parar em algum porto e descansar em terra firme, antes de partir rumo a outro oceano. Abandonar o navio em alto mar também não é uma opção das mais recomendáveis, são poucas as opções de botes disponíveis e o mar carrega muitos perigos. Não sendo este teu caso, viaje, ainda que em um barquinho que ainda não o satisfaz.

A navegação requer por excelência um trabalho conjunto e coordenado de toda a tripulação, pois se o barco afunda para um, afunda para todas as pessoas (e nós aprendemos com Titanic que nem todo mundo está disposto a dividir um pedaço de madeira). Ser comandante também é ser tripulante e passageiro, também é aproveitar da jornada, sendo uma das poucas diferenças a de que você está obrigado a saber o destino da jornada, ainda que você não saiba.

Mesmo que seja seu dever e responsabilidade saber o destino desta jornada sem rumo certo, cabe a você decidir como gestar e alinhar essa informação com os demais. Assim como o comando de um navio, no ambiente de trabalho é função da liderança, direta e indireta, saber para qual rumo a organização caminha, a fim de propiciar uma jornada segura, mesmo em que mares tempestuosos. Os tripulantes que estão cientes não somente de suas atividades, mas também dos rumos da jornada, podem auxiliar para que o caminho seja bem sucedido e se evite muitos icebergs, redemoinhos, krakens, cantos de sereias e outros problemas que rodeiam o mundo do oceano corporativo.

Aqueles tripulantes que sabem o rumo da jornada sentem confiança em seus gestores e também no próprio navio, além de acreditar na empreitada, enxergam um sentido maior do que apenas esfregar o convés do navio, assim, uma viagem sem rumo e sem sentido passa a ser uma experiência e aprendizado.

Tripulantes que conhecem da jornada por muitas vezes podem assumir o leme e permitir que a pessoa no comando tire um cochilo, pegue um bote para visitar outro navio, desça em um porto e retorne somente após as férias, possam ficar doentes e se recuperarem (coisa rara para um profissional hoje em dia) e até mesmo nunca mais voltarem a seu posto, por inúmeros motivos que a vida proporciona.

Alinhando a jornada com seus tripulantes percebe-se que os passageiros confiam e acreditam no propósito dessa viagem. Assim, aumenta-se a experiência dos envolvidos e possivelmente diminuirá os índices de enjoos, náufragos e ataques piratas. Passageiros que se sentem parte desta experiência compram ingressos, reservam dinheiro e espaço na agenda, cuidam da embarcação, defendem, anunciam e, principalmente, reconhecem o valor desta jornada.

Tripulantes que sabem dos rumos do navio conseguem repassar informações com maiores clarezas, sejam elas de seguranças, treinos militares próximos às orlas do Estado vizinho, programações do show no cruzeiro do Roberto Carlos ou o momento certo de lançarem as redes em algum bar de pesca recreativa.²

O ditado popular de que “mares calmos não fazem bons marinheiros” é uma grande ilusão, pois não são necessários momentos de tormentas para fortalecer e orientar a equipe. A definição da missão, objetivos e metas, alinhamento da estratégia e o conhecimento das funções de cada tripulante faz com que independente dos mares, todos sejam tripulantes dedicados e comprometidos à grande jornada, pois ainda que o mar não esteja para peixe, todos, enquanto na embarcação, velejam para um sentido comum.

No fundo todos estamos no mesmo barco. Somos todos comandantes e tripulantes à sua maneira e… passageiros da própria jornada.

1 - Usei as palavras comandante e tripulante ao invés de capitão e marinheiro para passar a idéia de um texto neutro.
2 - Tá aí uma franquia ainda não explorada, fica a dica para um empreendimento. Franquia de barcos de pescas recreativas.